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O Meu Ginásio 7 de Setembro

Lembro-me perfeitamente que as minhas primeiras lições foram ensinadas por professores particulares, Da. Maria Carneiro, Da. Sinhá e Da. Olga, esta última no Centro Artístico Cearense. Por volta de 1946, quando o Ginásio 7 de Setembro se transferiu da Rua Floriano Peixoto para a Avenida do Imperador, também me transferí e lá permaneci até 1953, quando concluí a 4ª série do curso ginasial, hoje, 8ª série do 1º grau. Naquela época, o 7 de Setembro não tinha o curso científico, atual 2º grau, razão por que tive que cursá-lo noutro Colégio. Mas, a passagem pelo 7 de Setembro teve uma importância marcante na minha formação básica, não somente pelo longo período que lá permaneci, mas, principalmente, pelo excelente nível de ensino, já desde o 2º ano primário, tive uma constelação de bons e dedicados professores e que, agora, a memória me traz os nomes de Constantino, Nertan, Geraldo Braga, Edmilson Monteiro, José Alves, José Maria Oliveira, Afrânio, Mauro Barbosa, Luiz Gonzaga, Francisco Cavalcante, Rebouças Macambira, Tamborini, Lisboa, Stênio Lopes, Osmírio, José Milton e Milton Dias, entre outros. O Sr. Jáder, o Jujú, o Jonas e o Pagão acessoriamente completavam esta moldura. Além de Português, Matemática, Geografia, História e Ciências, incluía-se Música, Inglês, Francês e o LATIM, com o seu "Qui, Quae, Quod?. Mas, tudo isso não seria bastante se não tivesse à sua frente um EDUCADOR do perfil de EDILSON BRASIL SOÁREZ. Competente, honesto, dedicado, um homem obstinado pela causa do ensino, o Dr. Edilson, como era chamado e respeitado por todos os alunos, transmitia segurança e, mais que isto, um "comprometimento com o sério", reforçado pela sua PERMANENTE PRESENÇA em todas as atividades - Aulas, Grêmio, Olimpíadas, Festas Cívicas, etc. Na sala de aula, seja com a História e Geografia, de um Gaspar de Freitas, seja a Crestomatia, com os seus famosos ditados, na preparação para o exame de admissão (5ª série), considerado um dos melhores do Estado; no Grêmio Literário 7 de Setembro, com suas reuniões às quartas-feiras, promovendo programas líteromusicais, tendo como pano de fundo a cultura e a prática do civismo, reverenciada pelo respeito aos Hinos e Bandeiras do Colégio, do Estado e do Brasil, tudo isto contribuindo e favorecendo à formação de uma verdadeira "escola de lideres". Através do Clube Pan-Americano se abria a janela para o estudo das Américas. A presença sempre viva do Colégio nos desfiles do dia 7 de Setembro, com toda a sua fase preparatória, rigorosamente acompanhada por Dr. Edilson, era contagíante e exemplar. Neste mesmo dia, sob o título "A Hora da Independência", com um grande festival no Teatro José de Alencar ou no Auditório da P R E - 9, se comemorava, a cada ano, mais um aniversário do Colégio. Semanalmente, o Colégio expedia um boletim de avaliação, onde se conhecia do 1º aos últimos classificados, sendo, ao último, atribuída a alcunha de "grilo". Cada boletim trazia uma observação manual e personalizada do Dr. Edilson, onde as mais frequentes eram "vai bem", "vai vencendo", "promete", "estude", "vai mal" e "proceda", todas com cores de tintas diferentes, respectivamente, caracterizando as mais diversas situações. Dr. Edilson sabia de forma incomum, combinar o tradicional com o moderno ou o velho com o novo, de modo que o seu objetivo fosse atingido: EDUCAR. E eu, há dez anos atrás, aos quarenta e oito anos de idade, já com os cabelos grisalhos voltei a desfilar pelo meu imortal Ginásio 7 de Setembro, na comemoração dos seus 50 anos, nas sua "BODAS DE ENSINO", sentindo aquela mesma emoção, agora, também, alimentada de saudades, de tantos desfiles ao lado daquele EDUCADOR MAIOR, que teve uma participação importantíssima na minha formação básica e, consequentemente, na minha formação cívica, moral e profissional. Tenho certeza que os seus herdeiros, hoje, à frente do Colégio 7 de Setembro farão o mesmo pelos meus herdeiros, Leonardo e Paula.

Raimundo Padilha
Economista. Professor da UFC.
Presidente da Bolsa Regional de Valores.

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