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Colégio 7 de Setembro

É impossível, em poucas linhas, falar sobre o Colégio 7 de Setembro, posto que não consigo resumir nesse breve espaço uma das fases mais ricas da minha vida dos meus 09 ao 15 anos. Foi nessa época que comecei a descobrir o mundo pelas lições maravilhosas do Dr. Edilson Brasil Soárez, educador tão extraordinário que conseguiu transferir para cada um dos seus filhos uma parcela de suas qualidades, de modo a que todos, vistos conjuntamente, estão hoje a formar o mesmo quadro notável de educador e de administrador de escolas que ele sozinho personalizava. Aí estão, sob o comando de Da. Nila - essa mulher admirável - o Ednilo, a Ednilze, o Ednilton e o Ednísio (o mais próximo a mim), e, na outra dimensão da vida, o Ednildo, o mais talentoso de todos, que partiu tão prematuramente numa mal explicada queda de helicóptero no Chile, onde servia, ainda moço, como diplomata, triste episódio que deflagrou o processo de que mais tarde decorreria a morte do Dr. Edilson, por nunca ter absorvido, inobstante toda a sua grandeza e a sua enorme formação espiritual, a abrupta perda do amado filho. A história do Colégio confunde-se com a própria história do Dr. Edilson, que extraiu os conteúdos pedagógicos de suas lições muito mais de sua própria e rica experiência do mundo do que das doutrinas consagradas, donde se aplicar no caso o conceito eliotiano do pensamento ligado à imediatez sensível da experiência. Daquela época não sei se mais me recordo da angústia dos exercícios de "ditados", onde cada palavra errada importava na pena de escrevê-la cinquenta ou cem vezes; ou dos concursos de oratória; ou das reuniões do Clube Panamericano e do Grêmio, cuja diretoria era escolhida pelos alunos, através de eleições diretas precedidas de memoráveis campanhas eleitorais, com espaço para conchavos políticos e discursos inflamados, assim como para os melhores gestos de cooptação dos eleitores. Lembro-me da "Hora da Independência", programa levado ao ar pela rádio no dia 7 de setembro, data também em que, com a farda de gala, o Colégio desfilava garboso, após uma série de ensaios adredemente coordenados pelo Dr. Edilson. Não posso me esquecer da nervosa expectativa gerada com a proximidade da entrega dos "boletins de notas", que tanto poderiam conduzir à glória de ser o primeiro da classe, com as louvações conhecidas, como ao amargo pesadelo das médias baixas - acintosamente grifadas de vermelho - de que decorriam os muitos castigos caseiros e, sobretudo, as terríveis reprímendas passadas pessoalmente pelo Dr. Edilson, na austera sala da Diretoria. O Dr. Edilson nos identificava a cada um de nós pelo nome, e conhecia cada uma de nossas características, deficiências e qualidades - quanto a estas, era extremamente parcimonioso em destacá-las, em face do seu estilo carinhosamente sisudo.
Na área esportiva, recordo-me bem dos treinos e das disputas internas de futebol, basquete e vôlei, bem como das competições contra seleções dos outros colégios, na "Quadra do América", que era também o palco das grandes paqueras juvenis. São muitas as lembranças a serem repassadas e que o tempo não as esmaece, e que hoje eu as revivo através de meu filho Caio César, aluno do mesmo Colégio que mantém, em sua essência, as mesmas diretivas adotadas pelo Dr. Edilson, que se perpetua nas vitórias de seus ex-alunos e nas lições que continuam sendo aplicadas aos atuais, por isso mesmo que não se ajusta àquela observação de Rilke, para quem o Homem, por sua própria condição de ser transitório, estaria proibido de aspirar a qualquer forma de permanência.

César Ásfor Rocha
Ministro do STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.

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