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Reminiscências e Reflexões

Eu me lembro do meu primeiro dia de aula no 7 de Setembro, levado pelo meu pai ao Dr. Edílson Brasil Soárez, fundador, então diretor e (mesmo falecido há alguns anos) uma figura ainda muito marcante nessa instituição de ensino. Minha primeira aula - se não me falha a memória - foi na sala 11, de Matemática, ministrada pelo professor Pereira no 4º ano "fraco" e a partir desse contato só me desliguei do colégio após a conclusão da 4ª série ginasial, incluindo-se nessa trajetória, o curso de admissão, um vestibular ao ginasial. Esse depoimento me emociona. O 7 de Setembro significava para mim um segundo "lar", minha casa afétiva, onde preenchia minhas carências de convivência prazeirosa e de estudo. Este estado de espírito, traduzido pela convivência saudável, feliz (e divertida) com colegas, professores, funcionários e a direção do colégio, especialmente, com o "doutor" Edilson, homem austero, enérgico, acima de tudo dedicado à sublime tarefa de educar, obviamente, dentro das circunstâncias da época, sob as quais ele e nós vivíamos. Minha trajeroria foi tão "contaminada" pelo 7 de Setembro, que ainda hoje, costumo ir lá, com freqüência, na busca de reviver dias e anos maravilhosos da minha vida. Ademais, quais as lições auféridas e, presentemente, internalizadas na minha cabeça? Vejamos algumas delas: 1 - O exemplo notável de dedicação do professor Edilson ao ensino. Tinha um enorme prazer de ensinar, educar, de se dedicar ao aluno como se fosse um filho dele. O 7 de Setembro era para ele um ato de prazer, de realização de um projeto educativo e não um simples negócio. 2 - As aulas eram dadas com conteúdo e critério e com forte dedicação. Professor naquela época estudava, dominava a matéria, lia muito, tinha prestígio, orgulhavase da profissão. As aulas eram levadas a sério, pelo cumprimento dos conteúdos, cobrança de deveres, disciplina, o rigor das provas, mesmo não impedindo a criatividade de alguns alunos no uso da "cola" (naquela época, chamada de "pesca"), dentre os quais, se incluía este depoente, daí as minhas punições, inclusive como frequentador habitual da "prisão" no final da aula (à tarde), juntamente com outros colegas turbulentos. 3 - A magnífica contribuição dada pelo "Grêmio Literário 7 de Setembro" na formação complementar do estudante. Um dos fatores positivos do meu possível sucesso atual, foi o fato de ter sido Presidente dessa entidade. 4 - O hábito da leitura era bastante estimulado, não só em sala de aula, mas através da biblioteca do colégio, naquela época dotada de bons autores. Por outro lado, as aulas de Português fecionadas pelo dr. Edilson eram um reforço a este eficaz hábito intelectual. 5 - O sentimento de civismo e patriotismo muito marcante no 7 de Setembro, mediante comemorações de datas históricas, como o desfile do Colégio na parada do dia 7. A meninada sentia-se orgulhosa em desfilar pelas principais ruas de Fortaleza. Os familiares, também, se orgulhavam desse evento anual. 6 - Outra lição: a entrega dos Boletins de Merecimento com anotações do próprio punho do Dr. Edilson, com suas famosas avaliações personalizadas de "Vai bem", "vai mal", "cuidado", etc, expressando sua motivação em querer melhorar o desempenho (mormente o comportamento) do jovem. Termino este depoimento com algumas reflexões. A educação não se restringe ao ensino formal (colégio, universidade, etc). A família tem um papel importantíssimo nessa tarefa. O meu aproveitamento no 7 de Setembro (apesar das precárias avaliações do dito Boletim), contou com valores básicos de origem plantados pelos meus saudosos pais. Um projeto educacional, no entanto, reflete uma época, uma determinada ideologia e para este projeto se tornar eficaz às novas gerações - e ao País - carece de renovação constante, residindo aqui, o maior desafio dos sucessores do Dr. Edilson. Os tempos agora são outros, diferentes da minha época. Doravante, a educação deve se propor a preparar e desenvolver a juventude para a VIDA (e não apenas para uma profissão. Na minha época a grande meta era a vida militar ou o Banco do Brasil), tornar-se um indivíduo autônomo, maduro, adulto, equipado sob todos os aspectos a vencer em qualquer papel em sua rápida passagem por este planeta em transição para uma economia globalizada, um mundo interdependente e de cruel competição. Finalizo, dizendo um sincero "muito obrigado" ao 7 de Setembro, responsável por uma parcela considerável do meu possível êxito na vida.

Cleber Aquino
Professor da Universidade de São Paulo (USP).

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