A Vida de Pescador
Jarina Martins Bastos, 4a Série.
1945


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Ainda o sol se achava alem dos horizontes semi-escurecidos; ainda as palmas dos coqueiros balouçavam-se aos suaves beijos das brisas noturnas; ainda brilhavam no céu os olhares inquietos das ultimas estrelas, enfim, tudo jazia dormindo, sob a paz da noite.
Tudo dorme, somente o pobre pescador, solitário na orla da praia, se lançava sobre a sua fragil jangada ao seio verde do mar.
Aberta a vela ao terral, vai deslizando pela vasta planicie líquida.
O sol já se levanta para contemplar o seu vulto de heroi.
E lá bem longe da terra, bem longe de sua casa, ele lançava apedra que lhe servia de ancora as aguas do mar.
Aí pescaria horas e horas, voltando somente com o cair da noite.
Ao regressar, estaria ele contente entre os seus, comendo o que ganhava com sua intrepidez, com a sua força, a sua paciencia.

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