Barão do Rio Branco
Alexandre Marques de Souza, 4ª Série.
1945


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José da Silva Maria Paranhos Junior, Barão do Rio Branco, filho do Visconde do Rio Branco, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de abril de 1845.
Dominava neste grande homem um grande apêgo ao estudo das coisas brasileiras, à história e à tradiçÃo nacional. Fez curso brilhantíssimo e teve várias comissões.
Quando saiu para a Europa, para representar o Brasil, arpoveitou a permanência entre os povos mais cultos da Europa, para estudar nos museus e bibliotecas as origens da nossa vida social e política.
Barão do Rio Branco foi um grande defensor dos nossos direitos, resolvendo-os sem questões ou guerras e aqui estão exemplos vivos sôbre a ação benéfica dêsse grande homem.
Na célebre questão das Missões, entre o Brasil e a Argentina, era representante do Brasil Barão de Aguiar, mas como Barão de Aguiar morreu nos E.E.U.U., foi noimeado para substituí-lo o Barão do Rio Branco, que se achava naquele momento em Paris.
Rio Branco, depois de estudar minuciosamente a questão, fez um relatório e o entregou ao árbitro desta questão, que era o presidente dos E.E.U.U., Lord Grover Cleveland.
Lord Cleveland, depois de estudar os motivos de uma e de outra das partes, deu a sua sentença. Por ocasião dessa sentença, estavam presentes os dois representantes dos paises em litígio: Barão do Rio Branco, pelo Brasil, e Estanislau Zebalos, pela Argentina.
O secretário da presidência fez então a leitura do laudo. Cleveland déra razão ao Brasil, portanto, o Território das Missões nos pertencia.
Esta foi a primeira vitória de José Maria da Silva Paranhos Júnior.
Logo depois desta vitória, foi novamente representante do Brasil em mais uma séria questão, havida entre o Brasil e a Guiana Francesa, por causa do Território do Amapá, questão esta que durou cerca de 200 anos, sendo escolhido para árbitro o presidente da Suiça, Walter Houser, que deu ganho de causa ao Brasil.
Além destas duas questões, ainda foi Rio Branco quem conseguiu assegurar a paz entre o Brasil e a Bolívia, seriamente ameaçada, pelo tratado de Petrópolis, (1903), ficando os brasileiros com o Acre, mediante uma indenização de dois milões de esterlinos e ainda pequenos territórios.
O Brasil devew cerca de 500.000km2 de seu território a este grande homem que foi Rio Branco, cujo centenário comemorámos este ano.
Que obra maravilhosa foi a deste homem!
José Maria da Silva Paranhos Junior, Barão do Rio Branco, além destas brilhantes vitórias alcançadas, foi diplomata, historiador, geógrafo e estadista.
Começou os seus estudos em S. Paulo e terminou na faculdade de Recife.
Foi professor, jornalista, deputado federal por Mato-Grosso, promotor público, ingressou na sua carreira diplomática como consul do Brasil em Liverpool. Foi ainda nomeado superintendente do serviço de imigração em París.
Quando foi nomeado ministro do exterior, o grande brasileiro achava-se em Berlim como representante do Brasil.
Barão do Rio Branco conservou-se sempre fiel ao seu antigo credo político, dando mais importância ao Brasil que às suas formas de governo, tanto é assim, que, quando assumiu o seu posto de ministro do exterior, èle disse:

NÃO VENHO SERVIR A UM PARTIDO POLÍTICO, VENHO SERVIR AO NOSSO BRASIL, QUE TODOS DESEJAMOS VER UNIDO, ÍNTEGRO, FORTE E RESPEITADO!

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