Por amôr à Pátria
Conto de Mirtes Xavier Ramos, 4ª série.
1942


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O dia amanheceu alegre.
Através das cortinas rosadas do quarto de Marina, o sol coava-se alegremente, indo beijar a fronte da jovem recostada ao leito.
Marina abria os olhos vagarosamente à luz solar, e levantou-se apressadamente como se o sol a estivesse ferido. Seus olhos e seu aspecto acusavam uma noite em claro, cheia de preocupações e pesadelos. Chegando à janela Marina olha para a rua - ia passando um batalhão de soldados. Ela baixou as palpebras e duas lagrimas silenciosas correram pela face.
Quantas recordações lhe vieram a lembrança ao ver aqueles soldados!
Fazia hoje precisamente um mês que o corpo do seu querido esposo tinha sido entregue à terra fria. Uma bala assassina o prostara por terra, quando êle e mais outros companheiros defendiam a pátria e seus irmãos da furia incansavel do inimigo.
No meio de tão tristes recordações, Marina lembrou-se do dia em que tinha conhecido o seu adorado Mario...

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*   *

Marina andava apressadamente pela rua com outras colegas, quando seus ouvidos foram feridos por agudos toques de cirenes. Aviões inimigos aproximavam-se da cidade com sua rede de luto, morte e destruição. Não havia tempo para cogitações. Marina e as companheiras correm ao primeiro abrigo, não sem tempo, pois as bombas já começavam a cair.
Com o coração amargurado, Marina entra no abrigo. Por tôda a parte os gritos, as lamentações do povo se confundiam com a explosão das bombas. No meio da confusão, Marina notou a presenç de um jovem médico que procurava acalmar os animos e dar alivio aos feridos. Sua fisionomia jovem e simpatica logo atraiu Marina. Era seu dever, pensou, não só como enfermeira civil que era, mas tambem como patriota, ir auxiliar ao jovem esculápio. Atravessando a multidão, amedrontada, Marina consegue chegar junto do medico e lhe oferece seus prestimos que foram logo aceitos.
Durante duas horas consecutivas, passaram pelas mãos habeis de Marina toda sorte de feridos e mutilados.
Todo o seu amôr de patriota e tôda a dedicação de seu sabêr estavam concentrados na salvação daqueles infelizes.
Felizmente, cessara o alarme. Marina já exausta, liga as ataduras do ultimo ferido e vai ao encontro do medico.
Finalmente, o encontra através de toda a balburdia, a consolar uma pobre mãe que perdera o filho.
Avistando Marina, o medico vai ao seu encontro e lhe agradece os favores prestados à patria, pedindo para acompanhá-la a casa.
Foi naquele dia que começou para ela uma vida risonha, de felicidades e de espweranças, apesar da guerra que rugia assutadoramente pela boca do canhão.
Ao cabo de duas semanas casava-se com Mario em uma singela capelinha.
Quão pouco durara a sua felicidade!
Ao cabo de dis meses, durante um ataque aereo à cidade, seu esposo é subitamente roubado à vida por uma bala traiçoeira, quando prestava socorros aos feridos de um hospital bombardeado impiedosamente.
Desde aquele dia o mundo fechou-se para Marina. Sua vida resume-se agora em ir visitar o tumulo do seu querido esposo e minorar com o seu apoio moral e material a desgraça de seus irmãos patricios tão atormentados pela guerra.

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*   *

O relogio da cabeceira toca cinco e meia. Marina levanta-se, pois a hora de ir para o hospital já se aproxima.
Chegando à janela, Marina cerra vagarosamente a cortina, pois pretende esquecer o quadro triste do seu destino.
Que outros demandem o campo da batalha, em defesa da Patria. Ela... a triste e heroica enfermeira, terán aeterna lembrança dle... um lenitivo e um estimulodetratar dos feridos...
Fatos da guerra...

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