"Vistas do Ceará"
Eelza Freitas, 4ª série.
1942


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Fortaleza, a cidade como poucas das suas irmãs nortistas que se debruçam no oceano, é alegre, jovial, encantadora.
As cidades têm alma como as creaturas - disse alguem - e direi, sem pretenção, que não sómente alma, mas tambem sentimento.
O sentimento brota continuamente da alma coletiva dos seus habitantes, formando um verdadeiro conjunto onde não ha dissonancias nem desharmonias. Assim é a alma de Fortaleza harmoniosa e gentil.
Esta figura estética e espiritual não poderia ter aparecido, se não tivesse a emoldurá-la a graça e beleza purissima das paisagens que rodeiam a cidade augusta onde resido.
E Fortaleza é bem o recanto paradisíco do Brasil para os amantes da natureza e para os que compreendem o valor de sua magnificencia.
Não repetirei aqui as lôas e ditirambos que todos entôam à beleza das prais de Iracema, Pirambú, Volta da Jurema e Mucuripe, porque são elas bastante conhecidas de todos quantos se interessam de pisar o solo cearense.
E estendendo-se dois passos a mais de Fortaleza, encontraremos verdadeiras maravilhas naturais que deslumbram qualquer pessôa ávida de sensações estéticas, dessas que ficam gravadas indelevelmente no recesso dos corações, obrigando o excursionista a repetir o passeio - Maranguape.
Surge-nos, ali, um adorável conjunto de matizes campestres, bosques de vegetais atraentes que abrem suas imaculadas corolas à caricia do sol vivificante e saturando de fragantes aromas a paisagem polícroma e maravilhosa.
Um amontoado de serras apresenta aos olhos do espectador a sua silhueta, recordando o azul de cobalto do céu e cravando nas nuvens os seus picos mais agudos cobertos de vegetação opulenta, tornando-se ainda mais sugestivo à alvura das casinhas encravadas, lá ao longe, ora no pé, ora no centro, ora no alto, desses montes gigantêscos que não obstante a rigidez de que são formados, fazem crescer delicadíssimas flôres sob o olhar carinhoso do Sublime artista.
Em suma, Fortaleza, Maranguape e outras tantas localidades cearenses, completam-se, ajustam-se cada vez mais à obediencia dos cérebros dos seus filhos, e, parece que, pintados por mãos de fada, ampliam-se os seus sedutores aspectos e panoramas doados pela Natureza.

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