O grumete.
Interpretação de Edmilson Brasil Marques. Nº:
392, Admissão, Turma 1.
1941 |

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O mar arrebentava com uma grande fúria. E as ondas iam ao
encontro de um navio que vinha do Pará com uma carga de borracha.
A noite aproximava-se; o vento rugia como se fosse um leão;
as nuvens desciam ameaçadoras. Os marinheiros trabalhavam furiosamente.
Vindo no meio deles um grumete, menino paraense, de doze anos, muito
franzino. Chamava-se Manuel; era órfão de pai, e deixára
sua mãezinha no Pará, acompanhada por uma irmãzinha
doentinha. Quando seu pai morreu, Manuel pensou. Devo trabalhar
para alimentar a mamãe e minha irmãzinha, e êste
dever hei de cumpri-lo. Deixou os seus estudos e lançou-se
nas ruas a perguntar se queriam um criado. Nas lojas, perguntava êle
se precisavam de um pequeno caixeiro.
Propós-se a sêr engraxate, vendedor de jornais, ou para
qualquer ofício, contanto que ganhasse dinheiro. Manuel um
dia estava, pensativo em um canto, quando viu no cartaz a partida
de um navio, era o Tocantins, e lembrou-se de ir oferecer
os seus serviços. Nesse mesmo dia Manuel despedia-se da sua
mãe, exclamando Não chore minha Mãezinha;
um dia voltarei com algum dinheiro.
Deus te abençõe meu filho! Respondeu-lhe a mãe.
O que me anima é que és bom nadador; mas, eu fico rezando
por ti! Manuel embarcou, e encontrou um velhinho paralítico
que se tornou um seu grande amigo. O velho ensinava muito as histórias
do Brasil a Manuel. Certa vez em que estava ensinando, o vento fez
o navio submergir. Minha mãe reza por mim pensou
Manuel. Manuel procurou salvar o paralítico que conduziu para
outro barco que se aproximava. Ao chegarao Pará, as suas palavras
para sua mãe, foram as seguintes: Minha mãe !
Deus ouviu as suas orações e recompensou meus esforços.
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