O homem, esse
desconhecido.
Prof. Francisco Corrêa.
1941 |

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|
O livro de ALEXIS CARREL é um laboratório de biologia.
O individuo está, deveras, apresentado com realismo perfeito
e muita espontaneidade.
Em alguns periodos repontam a sagacidade das induções,
a amplitude das sínteses e o vôo rapido da imaginação.
Noutros há os toques maviosos de um grande artista, que quís
aproximar-se do senso crítico na compreensão do Belo.
O proprio homem é um organoismo bem heterogeneo. Não
há lugar para a monotonia nas descrições. As
peças, isto é, os órgãos, lhe parece estão
ligados com os elos de uma longa corrente, cuja cadeia é o
cerebro e os aneis são os orgãos.
Há uma luta entre o meio e o homem e este se obriga a realizar
aptidões natas que lhe vieram dos antepassados. As possibilidades
dos tecidos lhe ensinam a êle como servir-se do meio em que
vivem. Cada homem escolherá, por si, o que melhor lhe parece,
graças á alimentação e ás condições
higiênicas do proprio ambiente.
Sendo assim, o individuo é o foco de seleção
natural da espécie. A prova está no fato de êle
procurar o que lhe falta na propria criatura. Os homens altos procuram,
em geral, mulheres baixas e os morenos se inclinam, facilmente, para
pessôas de côr branca. Ora, estando a alma presa ao corpo
como o orgão à função, as atividades húmanas
resultam da multiplicidade de varias funções. O homem
é um organismo construido como um castelo, cuja torre é
cercada de muros. A pele é uma dessas muralhas que se não
querem atravessar por inimigos frontreiriços como os microbios.
Apesar disso não se pode precisar o limite exterior e muito
intimo de cada homem.
Todos sucedem e não há solução de continuidade
do primeiro para o segundo e dêste para o ultimo. Formam êles
uma sorte de parede lacunar que se desdobra no tempo como um rosario
que se vai passar entre os dedos a rir e a chorar. Parece-lhe, ao
Grande Escritor, que não há independência entre
o genio dos individuos e o mundo cósmico. Nas multiplas realizações
de suas atividades êstes orgãos do Grande Todo se vêem
ligados que a desharmonia de um implicaria na desharmonia de tôdos.
Certos criticos põem em duvida tamanhas asserções.
Entretanto bem poucos ousariam afirmar que o Genio não é
o produto de uma uniformidade crescente que o aproxima dos supre-homens.
Todos os homens são formados de um só modelo. Entretanto,
um complexo de neurastenia e desprazer, de orgulho e ciência
de fé são comuns a quasi todos os homens modernos. Eo
seculo que avança. São atividades que aumentam num crescendo
de circunstancias assustadoras. E'o meio que se vai tornando precario
para o hemem que envelhesse depressa ao lado do grande PROCESSUS
dos dias atuais. São as tendencias sexuais muito precoceds
e por demais violentas a que merece se oponham as regras de sôlida
educação e de uma moral muito sã. Do contrario
tais empecilhos seriam disturbios na formação do grande
ORGANUM da Sociedade futura.
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