O Homem e o
Meio.
Afranioa Brasil Soares, Nº: 152, 3ª Série.
1941 |

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A vida é uma relação de dependencia entre o
homem e o homem e o meio.
As mútuas relações existentes entre estes dois
fatores, tendo em vista as influencias que cada um pode receber ou
exercer deram origem a três escolas filosóficas a saber:
a possibilista, a determinista e a livre-arbitrista.
Estas três escolas filosóficas procuram demonstrar melhormente
as influências mesologicas sôbre o homem e vice-versa.
A escola possibilista ou eclética admite as influencias do
meio, sem esquecer a natural contribuição dos individuos.
Enquanto o homem sofre as influencias mesológicas, é
chamdo passivo; porem quando reage sobre o meio é chamado ativo.
Um puco em contradição com a doutrina possibilista,
existem as escolas unilaterais, que são as outras.
Os precursores da doutrina determinista não concebem que o
homem possa exercer influências sôbre o meio, nem tão
pouco modificá-lo. Os deterministas acham que tudo já
esta determinado.
A escola livre arbitrista em inteira oposição à
determinista, procura provar que o homem tudo pode exercer sobre o
meio geográfico que o cerca.
As influencias do meio sôbre o homem muitas vezes são
rigorosissimas.
Existem casos em que o homem não acha outro meio de se livrar,
senão a fuga; no caso de uma erupção vulcanica,
de uma inundação, de um terremoto, de uma peste, de
uma sêca, etc.
Existem, porém, casos em que o homem reage, luta vitoriosamente
e vê a sua vitória. Como exemplos temos o holandês
(que é o maior exemplo de vitoria do homem sobre o meio) vive
constantemente reagindo contra a fúria do mar. Não tiveram
receio os holandeses de fundar as suas maiores cidades justamente
na parte mais baixa do que o nivel do mar.
Temos como grandes exemplos tambem os niponicos ameaçados constantemente
pelos vulcões; nem mesmo por isso emigramde suas terras.
Outro exemplo notável é o homem brasileiro reagindo
contra o flagelo nordestino - a sêca.
Outro caso, porem, vem contradizer os exemplos citados - é
o caboclo do Amazonas. A natureza não podia tê-lo favorecido
tanto. No entanto vive sujeito ao meio, modorrento e preguiçoso.
E assim vive o homem numa luta incansavel e numa jornada longa e dificil
para chegar á meta desejada.
E volvendo pouco a pouco, o homem vai trabalhando, resistindo, reagindo
e no final, vendo o seu adversário dominado.
Eis o dominio do homem sobre o meio.
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