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A neta da escrava
José Farias Filho, Nº: 305, 4º Ano, 2ª Turma.
1940 |

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Em uma casa de farinha, trabalhavam penosamente umas escravas. O
trabalho era lento. As escravas trabalhavam forçadamente. As
pobres escravas eram tão judiadas, que nÃo podiam chorar.
Umas como já estavam acostumada, cantavam as suas antigas canções.
As horas passavam-se. O vento soprava com uma feição
tristonha. No meio destas escravas havia duas que se sentavam juntas.
Era uma moça, e outra mais idosa. A mais moça ia ser
mãe de uma escravazinha, breve. Ambas choravam diàriamente,
porque mal nascesse a criança, seria escrava. Quando uma noite
de lua, plenilúnio, um velho escravo chamado Terêncio
entrou na casa de farinha com uma boa noticia. E a proclamou: Viera
uma noticia do coronel de que os filhos das ecravas que nascessem
daquele dia em diante não seriam mais escravos. Com esta noticia
a velha e a moça levantaram as mãos para o céu
agradecendo a Deus a grande dadiva para aquele futuro ser, cuja liberdade
já estava dantemão assegurada.
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