A conversão de um materialista
Mirtes Gadelha, Nº: 28, 1ª Série.
1940


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O céu estava azulado como nunca; o mar com suas aguas claras e cristalinas. Por sôbre êle, destacava-se um soberbo transtlantico, que deslisava para o Oriente.
Tudo lá dentro era vida.
No espaçoso salão de musica uma cantora interpretava lindas melodias que a tripulação do soberbo transatlântico pedia.
Nêsse navio viajava um materialista, que nâo acreditava em Deus, emfim, em nada no mundo.
De repente, como por encanto, escureceu-se o céu, as ondas se revoltaram, e em seguida desencadeou-se uma terrivel tempestade.
Todos os passageiros se alarmaram, soltando gritos alucinantes,
Pediam socorro e a tempestade continuava.
Por caiporismo, o navio chocou-se num rochedo e ficoou parado. O casco furou-se, e então ia a água mais a mais penetrando no mesmo.
Um quadro emocionante. As mães, desesperadas, com os filhinhos ao seu redor, os quais, procuravam achar consolo no seu colo bendito.
Que haveriam elas de fazer, se aquilo estava além de suas forças? Se fosse preciso que elas morressem para salvar os seus adorados filhinhos, o fariam com o maior sangue frio mas a tempestade é celeste. E elas não podiam com o poder de Deus, pois Ele é maior e mais poderoso que tudo no Universo.
O capitão, êste, embora aparentasse calma, estava mais aflito do que todos, pois vendo aquelas pobres crianças chorando e as angustiadas mães, só faltava despedaçar o seu bondoso coração, lembrando-se dos seus entes caros.
Estavam todos nessa agonia. Apenas o materialista parecia calmo, lendo um jornal em uma poltrona, pois êle pensava que apenas fôsse a tempestade.
Porém quando soube que o navio havia se chocado em umas rochas, sobressaltou-se e com todo o desespero do que vai deixar êste mundo e como se naquele instante uma luz iluminasse sua conciência, êlevou sua alma ao Creador, dizendo:
" Meu Deus para que tanto martírio? Deus, meu pai, tú és todo poder e bondade, envia um socorro para estes desgraçados, e principalmente para mim, que sou o mais infeliz de todos. Até agora ainda não acreditava na sua existência.
Vale-me, pois quero provar que compreendi o teu poder e a tua existência, enfim atua peternidade sobre todos nós ".
E como se aquilo fôsse um bálsamo recebido, sentou-se calmo e tranquilo, como se tivesse a certeza de que viriam socorrê-los.
E nisso olhou para o Ocidente, notando que vinha em direção do referido navio um outro como se já soubesse do ocorrido.
Botaram as lanchas e todos foram entrando no navio. Depois que todos estavam salvos, e como se estivesse apenas esperando por aquilo, o transatlântico submergiu, tragado pelas ondas revoltas. O outro deslisou airôso pelo oceano.
Depois de todos alcalmados , o capitão do navio-socorro contou que tinho tido a intuição de que por aquelas paragens estava naufragado um navio e para lá se dirigiu.
O materialista reconheceu que aquilo provinha do seu apelo a Deus. Daí a sua maior crença e fé no Deus Onipotente.

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