A Guerra
José Sinval de Sá, Nº: 62, 2ª Série, 1ª Turma.
1940


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A guerra é uma manifestação do instinto selvagem do homem.E' uma barbaridade para todas as épocas. E' ainda o fator principal da ruina de uma civilização. Desde tempos imemoriais que se constata a existência da guerra. A história do mundo não é mais do que uma longa série de lutas, injustiças e atrocidades. Já houve até uma que chegou a durar um século, como a que se travou entre as duas potencias hoje aliadas contra a Alemanha, no segundo qaurtel do século XIV, que ficou conhecida como a "guerra dos cem anos",onde se salientou a heroina francêsa Joana d'Arc. Quanta ruina não tem a guerra causado! Quantas mães, irmãs, viuvas e orfãos não tem deixado esse modo ridículo de o homem saciar os seus desejos orgulhosos e vis!
Mas, muitas vezes constitue ela uma necessidade. Muitas vezes um país vê-se mergulhado em pleno regime anarquista e para que haja transformação radical é necessário que haja tambem o sacrificio de centenas de seus filhos, tanto da parte daqueles que se batem pela extinção do regime como também da parte daqueles que não tomaram precauções e se viram arrastados para a ruina e para o regime infâme. Como exemplo disso, vimos a guerra espanhola que extinguiu na nação o credo dos homens sem Deus.
Outros exemplos ainda temos de consequências bem funestas: como sejam a guerra Sino-japonesa e a futura guerra indu-britânica. A primeira está dando terras a uma nação que delas necessita e está construindo uma nova China, muito diferente da China medieval precedente, livre de superstições e crendices banais. E' que à medida que o Japão conquistou a China oriental, o chinês vai marchando para o oeste, levando consigo as escolas, colégios, universidades e valores intelectuais e materiais. Do entrechoque entre a China moderna e a China medieval; é viavel a vitória da civilização!.
A Segunda, isto é a futura guerra de independencia dos indús, será tambem com certeza, bem vista pelos olhos do mundo, excéto por aqueles que os escravizam e sugam as riquezas do país. Desde muito tempo, na India existiu uma civilização que atingiu o apogeu no reinado Açoca. Porque com a volta do bramanismo, este país tornou-se fácil prêsa de toda uma série de conquistadores: árabes, turcos, mongóis, portugueses, franceses, holandeses e por ultimo dos ingleses. Mas como tudo passa, a India será o que já foi: um grande país. O Mahatma Gandhi já conta com elevado número de adeptos para a causa que há muito idealiza concretizar: a independência da Pátria. A parte mussulmana do país ensaia os primeiros passos para uma revolta: trabalha para extinção do antiquissimo código de manú, o que significa o fim dos preconceitos da classe e a união das raças e de ideais.
Aliás, já hoje a Inglaterra promete a independência da India...
E' portanto, em vários casos, a guerra uma necessidade.
Felizmente, o Brasil, a não ser uma guerra de defesa das ambições de autora, viverá por todos os tempos em paz. Pois temos territorio suficiente para conter toda população do glôbo. "Nunca diz Olavo Bilac, teremos necessidade de invadir os países vizinhos por um pedaço de terra".
Mas resta que façamos também a nossa marcha para o oeste do país. Diz o adágio: Não devemos esperar pela sêde para abrirmos o pôço". Não, devemos esperar por uma invasão de outrem, para nos prevenirmos. Devemos fazer do Brasil uma grande potência. Como obter isso? Muito facil: marchando para o oeste; abrindo rodagens para o interior do país, para que a produção tenha valor, extinguindo o analfabetismo existente no país, fundando escolas. Diz Olavo Bilac: ö verdadeiro patriotismo não consiste em notar os defeitos da Pátria, não para rirmos dêles amaldiçoá-los", e sim para estudá-los e corrigí-los". E, se os dois problemas acima citados procurarmos solvê-los, estamos sendo patriotas. Para isso devemos aproveitar a paz aqui existente, dádiva de Deus ao homem da América e principal fator do progresso de uma nação!...

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