Divisão Fisiológica do Trabalho
Rubens Brasil Soares.
1938


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Todos nós reconhecemos as vantagens e sentimos a necessidade da divisão do trabalho numa comunidade.
Desde a mais remota antiguidade, o homem tem procurado sempre especializar-se em determinado mistér para que, em conjunto com seus semelhantes, possa trabalhar unido e coêso em prol do engrandecimento do solo pátrio e do bem-estar comum.
Tomamos para exemplo um fato que verificamos nas grandes fábricas. Quando se trata da manufatura de um avião, por exemplo, o trabalho é dividido entre muitos operários, e assim, todos êles empregam as suas atividades de conformidade com a sua especialidade. Destarte, um grupo de homens encarrega-se da parte verdadeiramente técnica do aparelho, outro da parte material e operarios há cujo serviço se restringe tão sómente à colocação de "porcas" em parafusos, enquanto outros do que diz respeito à pintura e acabamento geral.
O trabalho isolado de cada um destes operários nada significaria se não aparecesse depois esse conjunto harmonioso, parte integrante de uma civilização que surge cheia de encantos e aureolada de fulgores.
No nosso corpo há uma divisão de trabalho idêntica ao de uma comunidade.
Sendo o organismo humano formado de vários órgãos, cada um deles se encarrega de diferentes espécies de trabalho, ou melhor de funções a executar.
Explicamos tal afirmativa porque as células que compõem cada órgão são diferentes daquelas que formam outros.
As células do cérbro, por exemplo, são diferentes das do coração e as células do estômago diferem das células que formam a língua e demais órgãos do aparelho digestivo.
Da mesma maneira, as células nervosas, recebendo impressões do mundo exterior, transportam impulsos nervosos e controlam as várias atividades do corpo.
Quanto ás células musculares, verificamos que têm tambem uma função a executar que consiste apenas na produção dos movimentos.
Por outro lado, na fagocitose, os leucocitos desempenham um papel sobremodo importante, resistindo ás enfermidades e portando-se como valorosos soldados em defesa da sanidade do individuo, impedindo assim, que o organismo seja atacado pelos micróbios transmissores das varias espécies de doenças.
Isto posto compreendemos que os tecidos que em conjunto formam o côrpo de qualquer animal, são formados de células características a esse tecido.
Assim, é natural que os diferentes grupos de células que formam os tecidos sejam diferentes entre si.
É verdade que em todas as células verificamos a mesma estrutura geral, como tambem todos os homens são iguais no seu plano de estrutura.
Nota-se, entretanto, que um homem, acostumando-se em determinada mo-
Dalldade de trabalho, só muito dificilmente poderá exercer uma outra. Em igualdade de condições, as células não realizam um trabalho atribuido a outra função.
Quando executam um trabalho, é natural que as celulas sofram as consequências desse trabalho, daí porque há necessidade de uma reparação mais ou menos constante.
Com a atuação do catabolismo, destruindo todos os princípios químicos que entram na constituição dos seres organizados, é impossivel que se mantenha a atividade vital sem a condição do organismo de se nutrir.
Os animais unicelulares fazem uma ligeira exceção a este palpitante assunto da divisão do trabalho, o que aliás é facilmente explicavel, porquanto, como o próprio nome indica, sendo formados de uma única célula precisam viver de si para si.
Nos pluricelulares, entretanto, de que nos estamos ocupando, a divisão fisiológica do trabalho constitue assunto de máxima importancia, porque, como já dissemos, cada grupo de células, encarregando-se de determinada função, concorre para o fortalecimento do organismo, da mesma maneira que os maiores proventos se verificam quando muitos operários trabalham juntos, buscando sempre o mesmo ideal.

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