Comemoração do Jubileu de Prata do Ginásio 7 de Setembro
Discurso proferido pelo Dr. Edílson Brasil Soarez, na solenidade da concha acústica, a 7 de Setembro.
1960


Leia no original

Exmo. Sr. Governador do Estado
Demais autoridades civis e militares
Srs. e Sras.
Distintos pais de alunos
Prezados ex-alunos
Mocidade estudiosa do Ginásio 7 de Setembro
Caros colegas de magistério:

Esta solenidade representa um marco histórico na vida do ginásio 7 de Setembro. Precisamente há vinte e cinco anos, nesta mesma data, em noite memorável, idealizámos fundar o então Colégio 7 de Setembro.
Confessamos que antes de 7 de Setembro de 1935, não abrigávamos ideal tão arrojado. O ginásio não teve por isso, criação intencional; sua existência não fora planejada.
Inicialmente, desde princípios de 1933, possuíamos um modesto curso particular. Começou com dois alunos, ao lado de nossa mesa de estudos e, com o acréscimo de alguns garôtos, fomos levados a instalar-nos em sala apropriada, cedida, embora gratuitamente. De fato, a 9 de agosto de 1933, ocupávamos a sala principal do prédio à rua do Rosário, 77, nos fundos da igreja presbiteriana e a ela pertencente. Essa célula inicial contava com o reduzido número de seis alunos. Findo o ano de 1933, estávamos com 14 crianças no curso. Em 1934, matriculámos mais alguns alunos e demos ao nominação de " Instituto Erasmo Braga" . Atingíamos, ao fim do ano, a matrícula de oitenta discentes
Entra o ano de 1935. o curso continuou a receber alunos. O novel instituto ultrapassa a primeira centena de pupilos. De curso de admissão inicial, passa a ter duas ou três classes auxiliares, mais atrasadas. São aprovados os primeiros candidatos preparados para para o curso de admissão, ao Liceu.
Eram os primeiros frutos do trabalho. Seriam os primeiros triunfos. E o trabalho prossegue.
Para dar um sentido cívico à instituição, recém-fundada, resolvemos, naquele ano, comemorar o Dia da Pátria, em reunião solene, embora em salão de pequenas dimensões. A assistência lota o ambiente. A festa agrada. Vêm os primeiros estímulos. E com eles a idéia de transformar o curso ou instituto em colégio, a que daríamos o nome da data magna da nacionalidade. E assim nasceu, senhores, o Ginásio 7 de Setembro. Nasceu da injunção do aparecimento de alunos, diríamos da preferência dos pais.
Daí porque afirmamos não ter sido ele intencionalmente criado. E nem poderíamos nós, moço de família modesta e desprovido de meios, ter propósitos tão avantajados. Foi a família cearense quem o fundou, quem o nutriu, quem o desenvolveu. Foi a preferência do público que nos obrigou, ano após ano a desenvolve-lo, a estender seu raio de ação, até chegar ao que é hoje, no seu Jubileu de Prata.
O prédio que ocupávamos em 1935, de logo se tornou deficiente para o educandário que crescia. De uma sala inicial, passámos a ocupar todas as dependências do edifício. E assim é que, em fins de 1936, fomos forçados a procurar sede mais espaçosa.
Mudámo-nos, em princípios de 1936, para o prédio de propriedade do Sr. Baltazar Barreira situado à Av. Rio Branco, 1617. Estávamos com duzentos alunos. Alí passámos dois anos. Findo o segundo, e como a matrícula continua em rítmo crescente, tivemos de pensar em novo deslocamento e na instalação do curso ginasial, para o que necessitávamos de prédio mais espaçoso.
Assim é que, com quatrocntos aliunos, ocupamos em 1939, o palacete Adalberto Studart, à rua Floriano Peixoto, 875. recebemos equiparação oficial. O público cearense continuava a acompanhar-nos. No terreno daquela propriedade fomos forçados, logo mais, a construir algumas dependências, para atender ao desdobramento de classes. Lá ficamos de 1939 a 1946, quando ultrapassamos a matrícula de mil alunos.
Novamente a sede se mostra insuficiente para a tender ao crescimento de matrículas, numa média de cem por ano. É assim que, em 1947, transferimo-nos para a quarta séde, a atual à Avenida Imperador, 1330, Palacete Inácio Parente, onde igualmente tivemos de construir salões e anexos complementores, para razoável instalação das dependências do ginásio.
Foi assim, senhores, que nasceu e cresceu o Ginásio 7 de Setembro. De princípios modestíssimos, desenvolveu-se passo a passo, numa marcha ascencional, criada pela própria contingência a que o levou a afluência de alunos.
Desde o princípio, traçámos um programa, adotamos uma filosofia de educação de que não nos temos afastado. O mesmo ideal embala os nossos atos. Procuramos traçar uma trajetória retilínea e manter-nos fiel a ela, em virtude de sadios propósitos, por nós endossados.
E após vinte e cinco anos de atividades educacionais, a nossa consciência não nos acusa de ter decepcionado aquêles que puseram em nós a sua confiança. Não nos temos arredado da meta inicial, decorrido embora um quarto de século. Lançando um olhar retrospectivo para o passado, não temos de que nos envergonhar, embora saibamos não ter formado o colégio ideal, nem ter podido, através de todos êsses anos, agradar a todos os que nos deram a sua preferência.
Temos o prazer, e não a vaidade, de saber que fomos o pioneiro em várias realizações e iniciativas em nosso meio. Através de vinte e cinco anos, temos dado exemplo de sinceridade de propósitos e moralidade de ensino, procurando ficar ao lado dos estabelecimentos educacionais mais honestos, que felizmente existem em nosso meio.
Nosso maior empenho foi, sempre, formar uma mocidade bem orientada, devotada à Pátria, útil à família e construtora de uma sociedade sadia. Procuramos formar homens no verdadeiro sentido da palavra. Homens e mulheres capazes de alevantar o nível social e moral da coletividade cearense. - Srs., se há crise no Brasil, é a crise moral, é a crise de caráter. E, se o regime ainda não desmoronou é porque há em todos os setores, valores positivos que salvam a nacionalidade.
Temos criado um ambiente de moralidade, compatível com a educação cristã que constroí e edifica. Sem ensinar dogmàticamente uma religião, temos posto a nossa confiança e os nossos pensamentos em Deus. A orientação religiosa deve ser dada pelos pais, em casa ou pelos sacerdotes, nas igrejas. Nem cremos que o decorar catecismo, seja ele católico ou protestante, forme caractéres.
Sem sermos um colégio religioso, temos dado exemplo de respeito a todos os credos, temos demonstrado acatamento à personalidade da criança, temos valorizado o homem, tratando-o sem preconceitos, temos tido pontualidade no cumprimento do dever, temos tido honestidade de propósitos, havemos demonstrado moralidade nos processos de ensino, temos tido prôfessores cônscios de sua profissão e de suas responsabilidades e temos respeitado as instituições nacionais.
Através dos anos, temos recuperado centenas de adolescentes. Crianças desajustadas e que constituíam problemas para a família, foram por nós com paciênte assistência, transformadas em adolescentes capazes e morigerados. Jovens arredios dos livros tornaram-se estudiosos e aplicados. Forçoso é dizer que esses resultados nem sempre foram inteiramente satisfatórios. E´ que há aí também a influência da família, de lares desajustados, de casais infelizes que causaram ambiente tal que degeneraram uma prole. Senhores não há propriamente juventude transviada. O que há são pais irresponsáveis, numa sociedade sem Deus, a qual mora nos clubes e guarda seus pertences numa casa, cujos membros quase nunca se encontram nem se entendem.
Temos procurado criar no colégio um ambiente sadio, um clima de elite, em que o jovem se sinta bem, em que a moça seja respeitada e em que os pais sejam venerados.
A nossa cooperação com os lares tem sido profunda, conseguindo aliás, para gáudio nosso, até mudar a política de tratamento de certos pais para com seus filhos. E nisso não vai nenhuma virtude. É dever de todo educador criar ambiente sadio para a mocidade, para sua perfeita higiene mental.
Através dêsses longos vinte e cinco anos, são inúmeros os jovens saídos do nosso educandário que galgaram posição de destaque na sociedade cearense, quiçá brasileira. A formação que aqui receberam, integral e benfazeja, ensejou-lhes o aproveitamento d oportunidades e a vitória em situações críticas e desfavoráveis.
O jovem entra no Ginásio 7 de Setembro para educar-se e sai para vencer na vida. Daí as centenas de triunfos de nossos ex-alunos na medicina, na engenharia, no jornalismo, na magistratura, na advocacia, nas diversas armas militares, na indústria, no comércio e nas demais carreiras liberais ou técnicas.
A principal lição que infundimos em nossos alunos é a da confiança em si mesmo e do aproveitamento de suas possibilidades individuais. E depois, enviâmo-los para a vitória, para a conquista de uma posição definitiva na vida. E não temos errado, graças a Deus.
Mas, senhores, urge encerrar. Queremos declarar, com tôda a sinceridade de nosso coração, que não temos de que nos orgulhar. Tudo o que temos feito, se é que fizemos alguima cousa, não passou de mero cumprimento do dever. E, a nosso ver, êsse não merece louvor. Censuremos, sim, os que não o cumpriram.
Oferecemos o nosso trabalho à sociedade cearense: o Ginásio 7 de Setembro é vosso. De há muito, deixou de nos pertencer. Ele recebe sugestões de centenas de famílias e procura ajuda-las a orientar seus queridos rebentos.
Vinte e cinco anos de trabalho honesto e despretencioso Nada de gloria pessoal ou particular. Tudo que fizemos, fizemo-lo por amor à juventude, por respeito à família e em favor do Brasil.

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