Comemoração do Jubileu de Prata do Ginásio 7 de Setembro
Discurso proferido pelo Dr. Edilson Brasil Soárez, no Banquete do Náutico, a 3 de Setembro.
1960


Leia no original

Ilustres convidados
Prezados ex-alunos
Distintos cônjuges de ex-alunos

No ensejo deste ágape de amizade, sejam as nossas primeiras palavras as de agradecimento pelo vosso gesto cavalheiresco em promovendo este jantar ou aceitando o convite para tomar parte nêle.
Volvendo o olhar retrospectivo para o longínquo 1935, através desses afanosos vinte e cinco anos, nada mais vemos que a seqüência agradável do cumprimento do dever de educar a nossa mocidade. E não nos sentiríamos bem se houvéssemos fugido a esse encargo que nos impôs a sociedade cearense. Nada temos d que nos gloriar, nem de que nos homenageardes. E se de alguma coisa podemos jactar-nos, seja a de que nestes 25 anos de luta ininterrupta, não ensarilhámos armas. Graças ao Onipotente, a saúde foi um grande auxilio na consecução de algo já realizado. A saúde, grande dádiva divina, aliada a um ideal sadio e despretencioso. Sim, poderíamos orgulhar-nos apenas do amor ao trabalho. Noites e noites de vigília, enquanto outros descansavam e dormiam, no recesso dos lares. O pão do Ginásio 7 de Setembro, srs.,foi amassado com redobrado esforço e não menor sacrifício. O nome que nos lisonjeia, para o qual concorreram dezenas de cooperadores sollícitos e eficientes, foi conseguido à custa de muito sacrifício e de muita renúncia.
Mas, não penseis julguemos ter atingido o colégio idealizado por nós, nos seus primeiros dias. Confessamos que ficamos muito aquém do que desejamos. Aquêle ideal que norteava nossa mente de jovem, de logo encontrou óbices quase intransponíveis. O colégio ideal não foi conseguido. Moço carecente de recursos, com a precariedade do meio, a incompreensão de muitos pais, a falta de cooperação de alguns companheiros e a negligencia d vários pupilos, tudo isso concorreu para que ficássemos no meio da estacada, a vislumbrar, muito ao longe, a colina em que tínhamos posto o nosso alvo ideal, sadio e benéfico. Ele nos serviu, quando muito, de estímulo, de acicate, ficando o exemplo para que outros, com mais avantajados meios, cmpletem a caminhada e alcancem a meta que não podemos atingir Vontade não nos faltou; a coragem foi a nossa companheira diária; cada vitória era mais um alento. Mas, há tarefas que ficam acima das nossas possibilidades, sobretudo quando o realiza-las não depende só de nós e fatores vários obstruem a boa-vontade dos que projetam realizá-las.
Um diretor de colégio tem de reunir em si qualidades as mais variegadas e multiformes. Tem de possuir, em si, ao mesmo tempo intuição de psicólogo e de pedagogo, de pai e de juiz, de um Jô e um Salomão, de sacerdote e de diplomata, um pouquinho de ditador e uma boa parcela de paciente genitora, não esquecendo, em alguns momentos, que está gerindo uma empresa que tem também o seu aspecto econômico; para tudo isto a sociedade lhe exige qualidades sobrenaturais, pobre ente que é, sujeito a todas as contingências, como vós outros. DE um dirtor nada se dispensa. Uma palavra mais apressada, um ato mais precipitado, anulam anos de possível lhaneza ou cavalheirismo. Nessas oportunidades tudo se olvida, nada se agradece, embora que, possivelmente com o perpassar dos anos, se possa fazer justiça.
"A experiência, disse Auguez, é a soma dos nossos desenganos." E se não fossem os risos das crianças, a gratidão de alguns pais e a vitória de vários ex-alunos, aliadas a um ideal puro, nada seria mais ingrato, nem mais cruel, que dirigir um educandário por tanto tempo.
Financeiramente qualquer outra profissão com o mesmo esforço, em menos espaço de tempo teríamos enriquecido, Nossa trajetória, através dos anos, foi uma retilínea, foi consciente. Procuramos não decepcionar aqueles que esperavam triunfos em nossas realizações.
Recebemos, em nossos primeiros anos, o exemplo dignificante de uma mãe que foi dedicada mestra e nossa primeira professora. A ela devemos o amor ao ensino e ao trabalho. Do pia honrado, modesto funcionário federal, recebemos um padrão ímpar de moralidade.
Temos tido, igualmente, o estímulo, o apóio e a dedicação de abnegada esposa, companheira de tôdas as horas, co-autora das vitórias por ventura conseguidas.
Não nos arrependemos da carreira abraçada. Bastaria a gratidão de centenas de ex-alunos para apagar decepções. Em cada rosto aqui presente, vemos uma faceta da história do Ginásio 7 de Setembro, em cada fisionomia um episódio; em cada ex-aluno um capítulo de belos dias vividos entre crianças e adolescentes. E esses dias quanto mais distantes, mais suaves e mais gratos, cada um deles a servi-nos de estímulo para novas arrancadas.
Temos o prazer de declarar que ainda não cansámos. Por mais algum tempo esperamos continuar a merecer a confiança da família cearense, sobretudo quando estamos a receber a segunda geração, constituída de filhops de ex-alunos.
Na oportunidade do Jubileu de prata do Ginásio 7 de Setembro, cabe-nos pedir à sociedade cearense que nos faça justiça. Se não fizemos tudo aquilo que desejamos, realizamos, ao m,enos, o que nos foi possível, o que esteve ao nosso alcance.
Se erramos, foi de boa fé, na ilusão de que estávamos acertando. Valha-nos, pelo menos, a boa vontade.
Que façam melhor os que nos seguirem.
A nossa consciência não nos acusa de negligência. O nosso colégio cresceu com o apoio da sociedade cearense. É a ela que nós o entregamos: com um nome que não nos envergonha, e com uma história que representa um quarto de século de trabalho em favor da mocidade estudiosa do Ceará.
Aos ex-alunos, a nossa gratidão pelo que têm feito no afã de honrar o nome do Ginásio 7 de Setembro.
Vós vencestes: o nosso trabalho não foi em vão!
Muito obrigado...

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