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A década de 80 ficou conhecida como a década perdida. A economia do país ficou parada durante os 10 anos. A economia talvez, mas a política pegou fogo.

Em 1982 voltaram as eleições diretas para governador (A última tinha sido em 1965). Em 1984 para Prefeito das capitais e em 1989 para Presidente da República, a ditadura acabara de madura ou de podre.

Fortaleza estava em pé de guerra na eleição para prefeitura de 1984. Pela primeira vez em toda história da Capital (desde 1726) foi eleita uma prefeita (Maria Luisa Fontenelle) que estava ligada às camadas mais pobres da população.

 

 

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É curioso que apesar da maioria da população da capital (84%) ser constituída de pessoas da classe pobre (rendimento mensal abaixo de 2 salários mínimos), se tenha levado mais de 250 anos para escolher um prefeito que os represente !Infelizmente o partido acabou isolado o que dificultou enormemente sua administração.

O ano de 1986 marca o fim dos governadores ligados à ditadura, foi aí que um jovem, louro, de olhos claros apelidado por isso de "galeguinho", ganhou as eleições. Seu nome: Tasso Jereissati. Saíam os coronéis, entravam os industriais.

Em 1989, nas eleições para presidente foi permitido que os menores de 16 anos votassem pela 1ª vez. A juventude aderiu em massa ao candidato do PT.

 

 
 

As crianças também festejam muito nestas eleições, cantando as músicas e indo aos comícios e passeatas, era a primeira eleição direta para presidente em quase 30 anos (a última tinha sido em 1960).

A mesma animação política da década de 80 era revivida anualmente pela escola na época das eleições do Grêmio.

 

 

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Presidente do Grêmio P C.gif (4871 bytes)

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Originalmente os membros do Grêmio representavam os alunos na diretoria da escola. Eles cuidavam de defender os interesses dos estudantes. Editavam a importante revista chamada Ipiranga, organizavam a biblioteca, promoviam encontros literários para melhorar a formação dos alunos, organizavam o desfile do 7 de Setembro, promoviam o esporte, eram líderes que precisavam estar prontos para falar em público e até faziam assistência social:  

"Entre as instituições sociais mantidas pelo nosso Colégio encontra-se a Cooperativa Escolar, que mantem alunos neste colégio dando fardamento completo, com quepe e sapato, livros e passe de bonde.

 

 
 

Desde o ano passado vínhamos mantendo um aluno. Este ano, como a situação da cooperativa melhorou, admitimos outro, a quem demos apenas farda, por ter ele auxilio de parentes. (...) O Colégio nada cobra destes alunos (carentes).

(...) (O dinheiro da cooperativa vem) dos (colegas) que contribuem com pequena importância, todas as semanas, aprendendo assim a amar o próximo e dar educação a quem não pode custeá-la "

(Cooperativa Escolar, Djanira Varela - Ipiranga Ano I, Num. 1 -1938)

 

 

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O processo eleitoral começava com os alunos de 1ª a 4ª série organizando no mínimo 2 chapas para concorrer às eleições.

O presidente era sempre da 4ª série e o vice da 3ª série. Havia comícios relâmpago com microfone e tudo em cima da cacimba. Por toda escola eram espalhadas faixas, cartazes, havia urnas em cada sala e um monte de cabos eleitorais. No dia das eleições se formavam seções eleitorais e a apuração dos votos ficava a cargo de uma comissão apuradora.

Todo mundo seguia para o auditório para assistir o final das apurações e saber o resultado.

Era uma festa de cidadania da qual o professor Edilson adorava participar com seus alunos.