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Foto 1

Alunos do Liceu P C.jpg (10301 bytes)

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Estamos nas dependências do quartel do Exercito em Fortaleza. Havia 451 pessoas presas pelos militares da ditadura. Era hora da chamada diária.

  • Preso 120 !
  • Presente!
  • Preso 121 !
  • Presente !

A chamada continuava até chegar no preso 451, o último da lista, o chamado preso federal. Era o professor Lauro de Oliveira Lima.

 
 

Lauro, era até pouco tempo, professor do Ginásio 7 de Setembro. Ele, já naquela época, era uma das maiores autoridades brasileiras na área de educação. Uma pessoa muitíssimo inteligente e criativa. Talvez por isso mesmo suas idéias avançadas representassem perigo para a o regime militar.

Acusaram o professor Lauro de comunista. Na ditadura ocorriam jugamentos sumários. O judiciário não operava com plenos poderes. Algumas das pessoas que foram presas entre 1968 e 1974, nunca mais voltariam para casa.

 

Foto 2

Matos Peixoto P C.jpg (7373 bytes)

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Foto 4

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As visitas eram proibidas mas o Prof. Edilson, às custas da amizade com alguns militares, fura o bloqueio e vai visitar Lauro na prisão. Sobre a visita, o professor Lauro de Oliveira conta a seguinte passagem:  

"- Você esta vendo Edilson, tanto trabalho pela frente, tanta gente para ser educada e eu aqui tratado como se marginal fosse e por quanto tempo? Não Sei.

  • É Lauro, você é um homem de bem, com importantes serviços prestados ao país. Tenha paciência não perca a sua fé em Deus, a verdade acabará vindo à tona.
  • Imagine Edilson que na próxima semana são os 15 anos da minha filha mais velha a Ana Elizabete. Queria tanto fazer uma festa bonita para ela..

 

 
 

O Edilson faz força para não chorar e fala:

  • Vamos ver Lauro.

Na Quarta-feira seguinte, o dia dos 15 anos da Ana, já eram 9 horas de um dia que ameaçava não ter fim de tão triste, cinza e sem esperanças.

  • Preso federal, visita! – falou o sentinela.

Dirigi-me ao parlatório, de longe não acreditava no que via. Edilson conseguiu não sei por que meios, convencer o general do quartel, a trazer minha filha Ana para que eu pudesse beijá-la. Jamais esqueci este dia. Foi um presente dos céus."

(Depoimento Prof Lauro de Oliveira Lima - Em: Edilson Brasil Soares – Um Marco na Educação – Ednilo Soárez, pg.49 - 1985)

 

 

Foto 5

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Foto 6

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Em 1971 o Professor Edilson conseguiu comprar o prédio do colégio da Av. Imperador, de propriedade de seu ex-aluno Inacio Parente. Ao menos agora estaria livre dos altos valores do aluguel. Com a compra foram feitas novas construções para abrigar os alunos do 2º grau. A primeira turma iniciou-se em 1973. Em 1975 o novo predio ficou pronto. Os alunos fizeram seu aprendizado profissionalizante na própria construção deste prédio, outro exemplo do enorme senso de educação integrada a realidade que o Prof. Edilson possuía.

A ditadura mantinha uma censura da vida cultural. Foi sob tal censura que surgiu um movimento artístico cearense que lançou nacionalmente cantores como Belchior, Fagner e Ednardo, por outro lado no mesmo período, foram exilados artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque.

O movimento se chamava "massa feira" e os artistas ficavam conhecidos como "pessoal do Ceará". Nesta época todo mundo cantarolava o "pavão misterioso" ou "Eu venho das dunas brancas"...

A ditadura começou a acabar em 1978 graças ao general Ernesto Geisel que assumia a presidência da República. Coincidentemente, no ano seguinte, Virgílio Távora assumia novamente o governo do estado.