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No ‘Meu’ Colégio Está Faltando Ele

Este ano não tive coragem de ver o "meu" colégio desfilar. Nem de participar, como fazia tempos atrás – quer como aluno, quer como, depois, seu mais humilde professor – das festas de seu aniversário. A ausência do Diretor amigo que, obedecendo aprendi a admirar em longo período de minha infância e juventude, ter-me-ia, tenho certeza, um vazio que o soar dos tambores e o toque dos clarins não conseguiriam preencher, proibindo-me, conseqüentemente de experimentar a gostosa sensação de estar novamente no meio da tropa, vibrando, com a juventude, revivendo os anos 50 quando pisava, orgulhosamente, os paralelepípedos da Avenida Duque de Caxias em Fortaleza.

 

 

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Foto 2

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Vem-me, agora, da mesma época, outra recordação. Após o desfile estudantil à tarde nos reservava um compromisso obrigatório no local de sempre: auditório da PRE-9, no Edifício Pajeú. Era o programa oficial com que o "meu" Colégio apagava, todos os anos, mais uma velinha de serviços prestados à educação no Ceará.

E ouço, como se fosse hoje, João Ramos ou Narcélio Limaverde, pausadamente propagar "para os céus livres" aquela frase que enchia de orgulho a todos os que já tinham ou estavam passando pelos bancos escolares do velho educandário da Avenida Imperador:

" No futuro, quando se escrever a história da educação cearense, uma página de ouro estará reservada ao Ginásio 7 de Setembro..."

 

 
 

Desculpem-me, D. Nila, Helder, mestres Chaves e Edmilson: este ano não tive coragem de ver "meu" Colégio (...). Faltar-me-ia a presença do velho chefe, correndo, ajeitando os óculos, gesticulando com os ombros, falando de Pátria, ensinando-nos a amar mais o Brasil.

Daquela maneira que só um Edilson Brasil Soárez sabia ensinar...

(Gamaliel Noronha, Jornal O Estado, Teresina-PI em: Edilson Brasil Soares – Um Marco na Educação – Ednilo Soárez, pg.98 - 1985) .

 

 

Foto 3

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Foto 4

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Logo depois da morte do fundador no dia 2 Julho de 1975 o futuro da escola ficou incerto. Como preencher a enorme lacuna deixada pelo Prof. Edilson?
Ednilo Soárez narra no seu livro quão singular foi a solução do problema.
A Dona Nila foi levada pelo filho Ednilton para um sítio em Canindé para que pudesse descansar. Na manhã seguinte ela passeava pelas redondezas quando avistou um grande jardim em total abandono. Porque este jardim está tão descuidado? Esta questão veio-lhe imediatamente à mente. Fez a pergunta ao primeiro morador do lugar que encontrou. A resposta dada parecia a peça final de um quebra-cabeça que acabava de ser finalizado. O morador havia dito: Sabe, dona, se o seu Antônio fosse vivo isto não estaria assim...
Dona Nila não teve mais nenhuma dúvida, era sua, a tarefa de cuidar do "jardim" do Prof. Edilson. - o Colégio 7 de Setembro.

"A mamãe assumiu, porque se mamãe não tivesse tido condições de assumir teríamos que pensar numa solução, (talvez vender, desativar, alguma coisa neste sentido). Saíram até alguns boatos na ocasião, na cidade de que estávamos nos desfazendo do colégio. Mas mamãe, com toda a sua "garra", todo o seu trabalho no primeiro dia de aula, em primeiro de agosto, fez hasteamento da bandeira, cantando o hino nacional, com todos os alunos [...]" (Ednilton Soárez em Empresas Vitoriosas - Vol. IV -Ed. Fundação Demócrito Rocha, 1993).