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Na década passada o presidente Juscelino desenvolveu muito a região sudeste e um pouco o sul, mas o nordeste, e principalmente o Ceará, não participou deste surto desenvolvimentista. As diferenças entre as regiões começaram a ficar cada vez maiores. O sudeste com muitas indústrias e dinheiro e o nordeste sem nada.

O grande economista nordestino Celso Furtado propôs a criação de um órgão do governo para ajudar o nordeste a se desenvolver. Este órgão foi a SUDENE (criada em 1959).

Em 1962 era eleito por voto direto para o governo do estado o Coronel Virgílio Távora. Virgílio, tendo sido um grande governador, praticamente reconstruiu todo o estado do Ceará. Ele iniciou um processo de desenvolvimento acelerado que dura até hoje.

O Ceará não possuía energia elétrica suficiente. Naquela época, a energia elétrica era gerada em usinas termelétricas que mal abasteciam a cidade de Fortaleza.

"Na gestão do Prefeito Paulo Cabral (...) , Fortaleza sofria de constantes black-out, apesar da aquisição feita por ele de uma usina Westinghouse que minorara, mas não resolvera o problema. No quadriênio seguinte, a situação continuava a mesma e não era possível pensar em industrialização, pois as empresas existentes eram obrigadas a ter os seus próprios geradores, o que onerava, sobremodo, os custos de produção." (Marcelo Linhares – Virgílio Távora: Sua Época. Ed. UFC, 1996)

 

 

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Cada cidade do interior tinha a sua própria termelétrica. A luz era desligada a partir das 10h da noite. Daí em diante só com lamparina ou vela. Houve o caso de um prefeito de uma cidade do interior que foi eleito com pequena diferença de votos. Para castigar a população mandou desligar a termelétrica por duas semanas.

Assim, um dos maiores feitos de Virgílio foi trazer a energia elétrica de Paulo Afonso, inicialmente nas cidades do cariri, depois até Fortaleza. O Ceará nunca mais seria o mesmo depois disto.

Virgílio também conseguiu a construção da BR 116, principal estrada que liga o Ceará ao resto do país. Ampliação (quase duplicação) do porto do Mucuripe. Criou os distritos industriais. Instalou o BEC (Banco do Estado do Ceará), Secretaria de Planejamento e Superintendência do Desenvolvimento do Ceará.

Para melhorar ainda mais a situação do estado, em 1964 assumia o primeiro Presidente da República cearense o General Humberto de Alencar Castelo Branco.

 

 
 

Castelo Branco era muito amigo do nosso fundador. Eles se conheceram quando Castelo Branco era comandante da 10ª Região Militar situada em Fortaleza.

"O General Castelo Branco, por diversas vezes, foi ao então Ginásio 7 de Setembro assistir às reuniões cívicas do Grêmio. Quando presidente da República, em uma das suas visitas à Fortaleza, os estudantes todos formados em sua homenagem, ao ver papai com seus alunos, manda parar o carro aberto em que desfilava e lhe pergunta:

- E o nosso Grêmio professor Edilson, continua muito animado? Já começaram os preparativos para a parada de 7 de Setembro?

E meu pai muito satisfeito com a deferência do Presidente da República (responde): - Sim, senhor Presidente, no Ginásio 7 de Setembro nada mudou!"

(Depoimento do Dr. Ednilo Soárez - Em: Edilson Brasil Soares – Um Marco na Educação – Ednilo Soárez, pg.69 - 1985)

 

 

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O ano de 1964 foi também o ano do golpe militar. A situação delicada da economia que gerava greves freqüentes e alta inflação, junto ao governo ineficiente de João Goulart levou a população a buscar alternativas. Os militares apoiados por parte da sociedade civil se configuraram como esta alternativa viável buscada. O governo militar iniciou-se com forte apoio da população. Castelo Branco era a favor da volta da normalidade o mais rápido possível, imaginava fazer eleições diretas no fim do seu mandato, mas foi vencido pelos seus colegas do exército da linha dura.

"Caminharemos para a frente com a segurança de que o remédio para os malefícios da extrema-esquerda (os comunistas, a desordem) não será o nascimento de uma direita reacionária (a ditadura), mas das reformas que se fizerem necessárias" (Trecho do Discurso de posse do Presidente Castelo Branco em:Marcelo Linhares – Virgílio Távora: Sua Época. Ed. UFC, 1996)

No governo do General Artur da Costa e Silva houve um endurecimento do regime político com edição do AI-5(Ato institucional no 5). Os militares linha dura chegavam ao poder.

Castelo Branco também foi professor de Virgílio Távora na Escola do Estado Maior do Exercito e os dois sempre mantiveram um relacionamento respeitoso. Isto facilitou muito a obtenção do dinheiro para iniciar a reconstrução do Estado.