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A auto-estima dos brasileiros atingia níveis nunca antes conhecidos nos anos 50. Getúlio Vargas já havia instalado importantes indústrias de base (siderúrgicas) e agora o Presidente Juscelino Kubitschek estava construindo uma nova capital para o país. Nesta época a capital do Brasil ainda era a cidade do Rio de Janeiro. A seleção de futebol ganhou em 1958 a sua primeira Copa do Mundo. Começavam a ser fabricados no país os primeiros automóveis. Inicialmente o Jeep Willys em 1952, o Fusca em 1953 e depois a Rural-Willys e Kombi em 1957. Parecia que tudo estava indo muito bem. No Ceará estava sendo construído o açude de Orós, considerado o maior do mundo. O povo dançava ao som do momento: o baião de Luiz Gonzaga. Em Fortaleza a festa de adultos corria solta no Clube Maguary e os meninos se divertiam no Parque Americano, o primeiro parque de diversões permanente do estado.
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O maior acontecimento da escola, agora mais do que nunca, era o Desfile de 7 de Setembro. Dia 15 de Junho, reunião do grêmio para planejar a organização do desfile. Josué era o representante da 3a. Série. O professor Edilson, que presidia a sessão, se vira e fala: - Josué você fica encarregado de organizar o corpo de ciclistas do primário. No ano passado o desfile não estava bom. - Pode deixar Professor Edilson. Vou começar a fazer o apanhado das bicicletas.
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Josué ficou preocupadíssimo. Tinha que falar com todos os meninos para ver quem possuía bicicleta, se a bicicleta estava em bom estado, se precisavam de conserto, providenciar os escudos com o símbolo do colégio, treinar os desfiles, cuidar da farda de gala, luvas e bandeiras.
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Naquela época ainda havia poucos carros em Fortaleza e bicicletas eram muito utilizadas, daí a sua importância. Boa parte das bicicletas eram importadas. Uma das mais famosas era da marca chamada Sears Roebuck. Por isso o desfile de ciclista era fundamental nas paradas de 7 de Setembro.
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Graças ao Josué, o corpo de ciclistas daquele ano foi um grande sucesso. As manobras treinadas com tanto empenho deram resultado. O Professor Edilson veio pessoalmente agradecer a Josué e a todos os meninos ciclistas: - E aí? Tudo certo? Darei os parabéns a seus pais pelo brilhante desfile.
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Ainda não havia televisão no Ceará e o rádio tinha se transformado, desde a década passada, na principal distração em casa. Passava novelas (O Direito de Nascer) , jornais, músicas e programas humorísticos. A principal rádio do Ceará se chamava PRE - 9 e foi lá que o professor Edilson teve a idéia de criar um programa chamado a hora da independência para também comemorar o dia da pátria. O nosso fundador foi um pioneiro no uso do que tinha de mais moderno para divulgação da escola e da sua filosofia. O programa começava às 13:00 horas. Depois de números musicais e leituras de poesias o Prof. Edilson encerrava com sua mensagem para a família cearense. O 7 de Setembro era realmente um grande dia para a escola.
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As comemorações só encerravam à noite com todo mundo indo ao Teatro José de Alencar. Naqueles dias da pátria da década de 50 a programação era muito parecida com a descrita abaixo: I Hino do Ginásio pelo Orfeon II Discurso pelo Dr. Edilson Brasil Soárez III Orfeon: <minha terra tem palmeiras> IV Discurso pelo representante do corpo docente, Dr. José Milton Dias V Canto: Quando dois destinos divergem (valsa), pelo aluno Raimundo Moura VI Declamação pelo aluno Haroldo Gadelha VII - <Aquarela do Brasil> - samba estilizado VIII Discurso pelo representante do corpo discente,Nertan Macedo IX Orfeon: <canto do Pajé> X Declamação, pela aluna Noélia Cleide Falcão XI Número de sapateado XII Apresentação da revista Ipiranga XIII <Canto: Esperei por você> (valsa), por Raimundo Moura XIV Ginástica Rítmica (valsa Amourense) XV Homenagem á enfermeira do Brasil XVI Hino Nacional (Programa - Ipiranga Ano X, Num. 10 -1947)
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