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- Se você tem o todo e quer obter a fração, multiplique, isto é, T.F.M TODO FEIJÃO MATA. Se você tem a fração e quer obter o todo, divida F.T.D. FEIJÃO TODO DIA. (Veja mais sobre o método do Edilson) A turma explodia de entusiasmo. Faltavam poucos dias para os exames do Liceu e da Escola Normal. O Professor Edilson inovava, premiava, incentivava e "chegava junto" dos alunos mais fracos. A turma já havia passado por uma maratona de concursos de ditado, cópias e problemas. - Como as matérias ficam fáceis quando o Professor Edilson ensina! Comentavam os alunos. Era comum escutar a classe toda rindo de uma vez. Edilson, sem querer, tinha descoberto a sua vocação; a de professor. Adorava ensinar, principalmente aos alunos de 1ª a 4ª Séries. Escreveria mais tarde um livro chamado Meus Pontos com as matérias destas séries. Edilson dividia o seu tempo entre o cursinho e a Faculdade de Direito, em breve se formaria advogado.
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"Edilson foi um amigo, um incentivador da minha vida quando eu precisava exatamente de uma pessoa que me orientasse. Tinha necessidade de ingressar no Liceu do Ceará (...). Por sugestão de amigos de minha família, procurei o curso dirigido pelo professor Edilson, que funcionava numa sala da Igreja Presbiteriana. Minha família era de formação nitidamente católica, mas isso não impediu de ser bem recebido por Edilson. Ele era a ponte que nos levava ao Liceu, já que seus alunos, de tão bem preparados, (tinham) aprovação segura no exame de admissão (...). Veio então o tal exame, e eu não era um dos alunos mais brilhantes. Ao contrário (era bem fraco). Edilson sentiu que eu precisava dessa ajuda e me estimulou ao máximo para que eu fizesse uma revisão de português. Ele me achava fraco na matéria e me dedicou um empenho todo especial. Na véspera do exame ele nos convocou e convenceu-nos a não ter medo. Nós éramos então mais de 100 alunos em seu curso fazendo exame para ingressar no Liceu. E eu vejam só tirei o 36.º lugar! Foi uma vitória muito grande, porque as vagas não chegavam a 90. (...) devo meu ingresso no velho Liceu do Ceará (ao Prof.) Edilson Brasil Soárez, o que, na verdade, ele fez com centenas de jovens da época(...). (Depoimento do Prof. José Cláudio de Oliveira- Em: Edilson Brasil Soares Um Marco na Educação Ednilo Soárez, 1985)
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Nesta mesma época os operários de indústrias, marítimos, barbeiros, ambulantes, alfaiates, etc, começavam a se organizar principalmente incentivados pelas novas leis trabalhistas de Getúlio Vargas. Deixando a Rua do Rosário e se dirigindo a Rua General Sampaio, podia-se ver uma multidão de trabalhadores que se aglomeravam ruidosamente em frente ao teatro José de Alencar. Vinham de uma passeata da LCT - Legião Cearense do Trabalho. O teatro já estava lotado e outro tanto de gente teve que ficar do lado de fora. Dentro do teatro um moço dos seus 25 anos discursava enquanto era aplaudido a todo momento pela platéia. Era o tenente Severino Sombra. "Cearenses! A nossa Legião é uma associação beneficente, é uma organização política e é uma sociedade de fins sociais novos e reformistas. (...) Defendemos o operário do comunismo anti-humano (...) Somos porta-vozes das palavras do santo padre e buscamos engrandecer o espirito cristão."
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Sombra fundou a LCT em 1931. Foi a primeira organização nazi-facista do Brasil. Era apoiada pela Igreja Católica. Teve um sucesso tão grande no Ceará que Sombra foi chamado para auxiliar Getúlio Vargas. Este tipo de organização era autoritária e intolerante. Sem ter a intenção, Sombra acabou prejudicando o Instituto Erasmo Braga do Professor Edilson. A sua intolerância acabou por influenciar membros da igreja católica que passaram a recomendar que os pais proibissem os filhos de estudar numa escola dirigida por protestantes.
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Edilson passou maus momentos. A liga dissolveu-se em 1937 em meio a muitas brigas internas. Neste mesmo ano de 1937 a escola se mudava para a Av. Joaquim Távora, 1617 (atual Visconde do Rio Branco) porque o número de alunos já não mais comportava na pequena sala da igreja da R. do Rosário. Entre Edilson e Sombra os pais acabaram ficando com Edilson. Antes de mudar-se para a Av. Joaquim Távora, o colégio passou a se chamar Colégio 7 de Setembro. Este foi também o ano em que Edilson casou-se com Nila. -Ufa! que ano cheio.
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