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O ano de 1930 mal tinha começado e parecia que estavam de volta os anos da guerra. Edilson estava com 17 anos. Tornou-se um dos melhores alunos do Liceu. Sendo o mais velho em casa, estava muito preocupado em arranjar uma maneira de ajudar na manutenção dos seus irmãos mais novos. Era muito procurado pelos colegas do Liceu de outras séries para que lhes ajudasse nos problemas. Foi daí que começou a pensar em dar aulas particulares em casa.  

 

 

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O governador do Ceará Marcos Peixoto informado de que os tenentes tinham tomado os governos do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais se preparava para o combate. Mandou montar guarda nas principais estradas de Fortaleza. Triplicou o policiamento no Palácio da Luz (a sede do governo). Instalou várias metralhadoras na Praça General Tibúrcio.

Mandou fechar o tráfego na rua da Igreja Presbiteriana onde Edilson ia assistir o culto aos domingos (Rua do Rosário) e também na Rua Sena Madureira.

 

 
 

Três dias depois os tenentes comandados pelo cearense Juarez Távora tomaram o governo de Pernambuco e em uma semana 200 soldados comandados pelos tenentes invadiam Fortaleza. Com uma força policial de apenas 500 homens mal armados e sabendo que mais 800 soldados marchavam para capital, Marcos Peixoto renunciou. Fernandes Távora, irmão de Juarez Távora assumia o governo do estado.

Esta revolta armada ficou conhecida como "Revolução de 1930". Os tenentes lutaram para colocar Getúlio Vargas na Presidência da República. Getúlio fez reformas importantíssimas. Acabou com a corrupção desenfreada da República Velha. Permitiu que as mulheres votassem e criou as leis trabalhistas:

 

 

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Foto 4

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(...) Entrei pra companhia de bonde com 20 anos.(...)A gente trabalhava uma semana em cada linha. A gente sofria um bocado viu? Não tinha direito a nada, nem folga, nem licença, nem férias. Trabalhava feito um jumento e qualquer coisinha botavam a gente pra rua e num diziam nem muito obrigado. Entrava de 4 horas da manhã e às vez só saia meia-noite. Quando o rendeiro (substituto) faltava, ficava rodando sem comer. Quem acabou com esta safadagem foi o nosso bendito Getúlio Vargas. Deve tá no céu, viu? Aí vêi folga, vêi férias, vêi aposentadoria, tudo. ( Depoimento do Sr. José Ferreira em 1999 sobre como era o seu trabalho na companhia de bondes de Fortaleza na década de 30. Jornal O Povo 11/09/99)

Infelizmente em 1937 Getúlio Vargas se tornou um ditador. Jornais e rádios foram proibidos de falar o que quisessem. Ninguém podia mais votar para escolher os seus representantes. Muitas pessoas foram presas ou perseguidas. No Ceará tivemos que aceitar o interventor Menezes Pimentel. Como o país estava indo bem, o povo não reclamou muito. Só depois da II Grande Guerra as coisas mudaram, mas isto já é assunto para a próxima década

 

 

Voltando à Rua do Rosário que tinha sido interditada, foi no número 77, onde ficava a Igreja Presbiteriana, que a nossa escola foi fundada.

Era exatamente o dia 7 de Setembro de 1935 e o primeiro nome da nossa escola não era Colégio 7 de Setembro e sim Instituto Erasmo Braga.

O que aconteceu foi que a partir de 1933, Edilson colocou em prática a idéia de dar aulas em casa. Seria um cursinho para alunos que precisavam fazer a seleção para o Liceu. Um assunto que ele conhecia profundamente. Um ano depois Edilson não tinha mais lugar em casa para colocar tanto aluno que procurava o seu cursinho.

 

 

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Foto 6

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Edilson pediu socorro ao pastor Reverendo Natanael Cortez. Queria usar uma sala da igreja que ficava desocupada durante a semana. O pastor concordou com o pedido. Assim foi fundado o Instituto Erasmo Braga. Edilson estava com 20 anos.

Além do Liceu, o cursinho recebia alunos que queriam fazer seleção para a Escola Normal e para o Colégio Militar. Em pouco tempo o cursinho do Professor Edilson era o melhor da capital.