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Em 1924 o Agente Jader (com uma mãozinha da Dona Dica), recebe promoção e vem administrar a estação de Fortaleza. Embarca com toda família. O trem aproxima-se da capital e os meninos (eram quatro agora) se amontoam na janela para ver a chegada. A fumaça do trem escurece um pouco a visão. De repente é possível avistar as primeiras mansões no bairro do Benfica . Um descampado e alguns casebres depois, a cidade finalmente aparece no elegante bairro de Jacarecanga (foto 1).       

 

 

Foto 1

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Foto 2

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Todos descem na estação central, dali é possível ver o mar.

- Que espetáculo! Será mesmo verde como dizia José de Alencar? Pensava o menino Edilson pendurando-se à janela da estação para confirmar.(foto 2)

Fortaleza dos anos 20 era uma cidade em expansão. Tinha aproximadamente 80.000 habitantes. As ruas ainda eram iluminadas com gás carbônico mas as casas já tinham energia elétrica. Desde 1914, o transporte na cidade era feito por bondes elétricos, que substituíram os bondes puxados a burros. O serviço era administrado por uma empresa canadense. Em 1926 começou a ser instalada a água encanada.

 

 
 

As indústrias floresciam. Fábrica de tecidos progresso, Fábrica Siqueira Gurgel de óleo e sabão, cigarros, calçados, curtumes, bebidas.

O comércio se desenvolvia bem mais que a indústria. Só o algodão, durante a safra, movimentava uma imensidão de comboieiros, freteiros, lojistas e donos de mercadorias que fervilhavam pelas ruas da cidade. As trocas comerciais eram sempre feitas com as cidades do interior. Além de Aracati, Icó e Sobral, agora se destacavam as cidades de Baturité, Quixadá e Juazeiro do Norte. Os caixeiros (como eram chamados os funcionários do comércio da época) tinham um organização sólida e poderosa chamada Fênix Caixeiral. A jovem Nila, por exemplo, formou-se em contabilidade pela Fênix Caixeiral em 1935.

 

 

Foto 3

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Foto 4

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A linha de trem terminava na estação central de Fortaleza, mas na cabeça dos governantes locais e de muitos habitantes, uma linha de trem imaginária continuava sobre o oceano chegando até Paris na França. Começava que muitas casas comerciais eram administradas por estrangeiros franceses como a famosa casa Boris Frères, filial da casa francesa de mesmo nome. Tinha também Benoit Levy & Dreyfuss, Levy Fréres, Reishofer Frère, Clement Levy e Felix Liabastres, todas casas de comércio de propriedade de franceses.

As reformas na cidade e os prédios públicos inspiravam-se nos franceses. O Mercado de Ferro(foto 4), tido como o mais belo e confortável da América do sul, foi projetado e construído na França.

 

 
 

A Praça do Ferreira (foto 5) estava sendo reformada, ganharia uma nova iluminação à luz elétrica. Diziam que desta forma, à noite, a praça ficaria um céu. A Praça Marquês do Herval (atual José de Alencar)(foto 6), toda ajardinada e enfeitada com colunas de mármore vindas de Portugal, mas ao gosto francês, era passeio obrigatório para grande número de famílias e as suas crianças.

As roupas, os costumes e até o nome das coisas eram copiados da França.

Edilson e sua família instalaram-se na Rua Tristão Gonçalves n° 2.

 

 

Foto 5

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Foto 6

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Edilson estudou um ano no Grupo Escolar Norte em Fortaleza.

"Nesse grupo havia uma faxineira muito velhinha e já sem forças para arrumar as carteiras da sala. Edilson almoçava mais cedo, chegava no grupo antes de começar as aulas para fazer o trabalho da velhinha de colocar as carteiras em seus lugares. (depoimento da D. Albanisa Brasil (88 anos), tia de Edilson em Jun/2000 )

Ao completar 11 anos, precisava ir para o ginásio (atual 5ª a 8ª Series). O colégio indicado seria o Liceu do Ceará. Na época o Liceu era o melhor ginásio da cidade. Tinha os melhores professores e uma lista enorme de alunos brilhantes. Uma escola muito diferente daquelas em que ele tinha estudado no interior.

Como era administrado pelo governo do estado, o Liceu não cobrava mensalidades, assim havia muitos alunos querendo entrar e poucas vagas disponíveis. A única maneira de entrar era passar no teste de seleção. Edilson teve que estudar dobrado, aprender o que não tinham ensinado na sua antiga escola e mais uma porção de coisas novas.

 

 
 

As provas eram de português, aritmética, geografia, história e ciências.

Chegou o período dos exames. Fazia-se uma ou duas provas por dia dependendo da matéria. Português, foi bem, aritmética, mais ou menos,

- E se não fosse aprovado, o que faria? preocupava-se Edilson e muito mais preocupados estavam seus pais e irmãos em casa.

O resultado saiu. A lista de aprovados já estava acabando e Edilson ainda não tinha visto o seu nome. Ao virar a página apareceu o nome Edilson Brasil Soárez. Era ele. Tinha passado. Que enorme vitória! Edilson já se imaginava todo orgulhoso vestido na farda do Liceu fazendo inveja aos meninos e chamando a atenção das meninas da vizinhança

 

 

Foto 7

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