O
trem chegava carregado à última estação - EFB Iguatú, com trilhos e dormentes para a construção dos próximos quilômetros da estrada de ferro. O Agente Jader Soárez Pereira da vizinha EFB Maria Pereira acompanhava o comboio, por ordem da central, para assegurar que o colega de Iguatú receberia a mercadoria sem problemas.

O agente da estação ferroviária é o chefe da estação. Ele cuida da venda de passagens, manutenção da estrada, comunicação com a central, gerenciamento de funcionários e demais tarefas administrativas.

O comboio chegou cedo da madrugada, havia ainda uma cerração. Um grupo de homens aguardava para ajudar no descarregamento. Daqui mais algumas horas o trem já estaria retornando em direção a Fortaleza.

 

Fotos 1 e 2

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Fotos 3 e 4

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- Jader, não precisava se incomodar ! Falou Dionísio Agente da EFB Iguatú.

- Amigo Dionísio, a chefia da EFB na capital está preocupada com a movimentação que está havendo em Juazeiro. Eles receberam recomendações do próprio Governador Coronel Franco Rabelo para redobrar os cuidados com a carga.

- Bom, por aqui está tudo calmo. Vamos tomar um café com beiju. Pelo menos para que eu possa retribuir a sua atenção.

" (No final do ano de 1913)(...) sob a direção de um seu funccionario (da EFB), trabalhavam cerca de 400 operários, mantidos pelo fornecedor de gêneros, (...) em princípio de fevereiro do anno de 1914, (ocorreu) a suspensão completa dos serviços de construção, (...) dando como causa o movimento de agitação política por que passou o Estado." ( Relatório da Inspectoria Federal das Estradas em:Benedito Genésio Ferreira - A estrada de Ferro de Baturité: 1870-1930 – Ed. NUDOC/UFC, 1989)

 
 

Eram 10 da manhã quando Jader saltava de volta a sua estação, a EFB Maria Pereira.

Naquela época o principal meio de transporte era o trem e a comunicação era feita por telegrama. Os funcionários da ferrovia e os funcionários dos telégrafos estavam entre as categorias profissionais mais respeitadas. Foi o telegrafista que avisou para o Jader o recebimento de um telegrama que dizia mais ou menos assim:

 

Foto 5

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Foto 6

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Autoridades Governador Franco Rabelo depostas Juazeiro

Revoltosos comandados Deputado Floro Bartolomeu

Toda força policial estado segue para EFB Iguatú

Providenciar apoio para tropa 500 homens

Viagem trem especial com armas e munição

Data chegada sua estação informada em breve

 
Jáder estava com a esposa Dica Brasil Soárez esperando o seu primeiro filho.

- Que bela hora para uma guerra! Resmungava para esposa.

Os combates e a movimentação de tropa foram intensos naquele mês de Dezembro de 1913. O bebê nasceu no dia 6 de fevereiro de 1914 e os combates se seguiram até março de 1914 quando revoltosos de Juazeiro conseguiram depor o Governador do Ceará.

O menino nascido foi chamado de Edilson. Mais tarde ele seria o fundador da nossa escola.

 

Fotos 7 e 8

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Fotos 9 e 10

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A guerra em que Edilson nasceu foi a segunda etapa de uma revolta que começou em Fortaleza dois anos antes. Por coincidência uma revolta iniciada por crianças. Não que as crianças planejaram a revolta, mas foi numa passeata em que elas participavam que tudo começou.

"Eu lembro da guerra do Accioly, mas muito pouco porque eu era pequena. Minha casa era no centro e eu me lembro das balas passando em cima da casa. Nós morávamos em frente ao futuro governador, Cel. Franco Rabelo, então aquela era a área mais perseguida. As portas eram fechadas e a gente só ouvia. Isso foi em 1911/12. Eu lembro porque meu irmãozinho tinha quatro meses, quando essa guerra começou. Nós andávamos nos arrastando dentro de casa. Mamãe dava de mamar a meu irmão que estava com coqueluche, e não se podia sair para comprar um remédio" (Depoimento da Sra. Crisália Barros em: Brinquedo da Memória - Celeste Cordeiro, Ed. F. Demócrito Rocha).